NELORE JOP

HISTÓRIA

Importação de embriões bovinos da Índia para o Brasil

O Brasil é o país com o maior rebanho bovino comercial do mundo, com 212,8 milhões de cabeças. Cerca de 80% desse total é composto por raças zebuínas e seus cruzamentos. Os bovinos Bos indicus (zebu) são originários da Índia e foram importados para o Brasil entre 1870 e 1962 – data da última importação de animais vivos. Oficialmente, entraram no Brasil 6.262 exemplares das diversas raças zebuínas. A extraordinária adaptação e produtividade no território brasileiro determinaram sua rápida multiplicação e predomínio no rebanho nacional. A raça Nelore é a que mais se desenvolveu entre as raças indianas. Entretanto, a base genética dos animais zebuínos, que promoveu todo esse crescimento do rebanho brasileiro, foi muito estreita, com a predominância de somente seis linhagens. Esse processo gerou um fenômeno denominado ENDOGAMIA, que significa filhos de pais aparentados e que hoje se faz presente em nosso rebanho, apresentando níveis preocupantes não só na raça Nelore, mas também na Gir e na Guzerá. Para se ter uma ideia da relevância desse processo, o número de animais endogâmicos passou de 10% para 73%, de 1978 a 1998. A literatura científica relata que, a cada 1% de aumento do coeficiente de endogamia, ocorrem mudanças significativas no desempenho individual tanto na produção de carne quanto na fertilidade. O método mais econômico para reverter a endogamia é a introdução de novas linhagens para o rebanho sem proximidade genética com as linhagens existentes aqui no Brasil.
Com esta finalidade, alguns criadores brasileiros resolveram buscar na origem (Índia) animais que proporcionassem o necessário refrescamento de sangue ao zebu brasileiro, diminuindo assim a endogamia e possibilitando ao Brasil continuar a evolução genética do rebanho, mantendo a competitividade da bovinocultura, tanto para consumo interno quanto para exportação.






Touro Golias

Touro Golias, em quarentena na ilha de Fernando de Noronha, em 1962.

Genearca Karvadi

Touro Godhavari

Touro Godhavari.



TAJ MAHAL

Genearca Taj Mahal

Genearca Kurupath

Genearca Kurupathy

Genearca Rastã

Genearca Rastã



A Solução

O Projeto Nelore JOP nasceu em 2003, por iniciativa de um grupo de selecionadores, adiante citados, com o objetivo de buscar na Índia, o berço do nosso zebu, novas linhagens do Nelore para refrescar o sangue do rebanho bovino brasileiro. Esse trabalho envolveu diversas viagens ao país de origem do Nelore, no início da década de 2000, para visitar propriedades e prospectar oportunidades genéticas. O resultado superou a melhor das expectativas.
Após percorrer milhares de quilômetros e centenas de propriedades, os participantes do Nelore JOP garimparam excepcionais exemplares com as características exigidas pela pecuária moderna.
Esse trabalho resultou na seleção e aquisição de 4 touros e 35 fêmeas pelo Nelore JOP. Esses produtos foram levados para estações de coleta e deram início à fase seguinte do empreendimento: a produção de embriões. Em três etapas, já foram importados 2.300 embriões de Nelore da Índia. Essa genética está na base do Nelore JOP.
A primeira geração de animais do Projeto Nelore JOP nasceu em 2012, tendo hoje cerca de quatro anos de idade. No total, foram mais de 275 nascimentos até o momento, devidamente registrados e comunicados à ABCZ. Os machos vêm sendo utilizados nas fazendas dos parceiros do Projeto. Suas progênies já ganham relevância e despontam em termos de produtividade. A etapa seguinte foi compartilhar essa genética diferenciada com o mercado. Com isso, o Nelore JOP dá sua contribuição ao contínuo crescimento da pecuária brasileira, com eficiência e foco na produção de carne.
Importante destacar que todos os produtos do Nelore JOP são avaliados desde o nascimento ao sobreano, em grupos homogêneos manejados sob as mesmas condições ambientais a pasto.
A coordenação desse projeto foi feita, desde o início, por uma equipe multidisciplinar de criadores, a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a CNA (Confederação de Pecuária e Agricultura do Brasil) e a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Os animais aprovados obtiveram registro LEI (Livro Especial de Importação) para sua identificação.